Descobrir os pirilampos

Candace Fallon é bióloga e investigadora. Veio a Portugal e passou no parque. 

Grande parte do trabalho de Candace Fallon está focado na conservação de borboletas, escaravelhos, moluscos e macroinvertebrados aquáticos ameaçados em territórios do Oeste dos EUA. Atualmente, coordena o trabalho de conservação de pirilampos da Xerces Society e atua como coordenadora no seu país do Grupo de Especialistas em Pirilampos da IUCN.

No parque, uma vez resumido o quadro das diversas espécies de pirilampos de Portugal, pelas 21h30 de 25 de maio, foi altura de meter pés a caminho. Com a Lua a exibir-se, assim que chegámos às margens do rio Febros as luzes intermitentes de machos adultos de pirilampo-lusitânico em voo começaram a cintilar. A época acabou de iniciar.

Na borda do caminho uma primeira larva de pirilampo do género Lampyris, possivelmente L. iberica. Passo a passo, no bosque de amieiros mais machos alados a luzir em busca de fêmeas. Mais para diante há uma luz fixa no solo: uma fêmea adulta de Lamprohiza. Parece ser um pirilampo-pequeno-de-lunetas, Lamprohiza mulsantii.

Candace Fallon recorda: “Enquanto caminhávamos pelo percurso noturno, fomos brindados com o brilho cintilante dos machos do pirilampo-lusitânico, endémico de Portugal, Luciola lusitanica, bem como com o brilho amarelo-esverdeado das larvas de Lampyris e das fêmeas ápteras (sem asas) de pirilampos do género Lamprohiza”.

Na noite luminosa o luar esmaece as constelações. Há ali perto outros invertebrados que também estão na fase adulta: as cabras-louras, Lucanus cervus, o maior escaravelho da Europa. Adiante, a cinco metros do solo, uma trepadeira-comum, Certhia brachydactyla, dormita na vertical na cortiça de um ramo de sobreiro. Mais abaixo no percurso ainda se consegue ver uma salamandra-lusitânica, Chioglossa lusitanica, a esgueirar-se entre as folhas caídas do bosque.

Após a sua breve passagem, Candace Fallon comentou que visitar o Parque Biológico de Gaia e ver os pirilampos foi um dos pontos altos da sua viagem a Portugal. Recorda ainda a visita noturna: “É evidente o orgulho que o parque sente pelos seus pirilampos, como se pode ver pelos murais, placas e informações fornecidas aos visitantes. Foi uma honra fruir dessa visita, aprendendo mais sobre as espécies e habitats locais. Estou ansiosa para ver o que mais descobrirão e acompanhar o crescimento do seu programa de monitorização de pirilampos”.

 

 

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