Marta devolvida à natureza

Dia 19 de junho de 2026 foi capturada acidentalmente uma marta perto da Quinta do Covelo, na cidade do Porto. Entregue ao Centro de Recuperação de Fauna do Parque Biológico, o animal selvagem iniciou um processo de reabilitação. 

Tratava-se de um macho adulto encaminhado pelo Centro de Recolha Oficial de Animais do Porto (CROA). Face ao caráter excecional deste registo, foi desencadeado um trabalho conjunto entre o Centro de Recuperação de Fauna do Parque Biológico de Gaia, o CROA, investigadores do BIOPOLIS-CIBIO, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da Universidade de Lisboa, com o objetivo de determinar a origem do exemplar e definir a solução mais adequada para a sua devolução à natureza.
A marta é um pequeno carnívoro da família dos mustelídeos, que inclui também espécies como a lontra, o texugo e a doninha. Em Portugal, trata-se de uma espécie pouco conhecida e considerada Vulnerável, ocorrendo sobretudo no extremo norte do país, em áreas de floresta nativa bem conservadas, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês e o Parque Natural de Montesinho.
Durante o período de quarentena, foram recolhidas amostras de sangue para análise genética. Os resultados confirmaram que o animal era autóctone e apresentava uma forte afinidade genética com a população do Noroeste Ibérico, afastando a hipótese de se tratar de um exemplar proveniente de cativeiro. A monitorização comportamental permitiu igualmente confirmar que mantinha um comportamento tipicamente selvagem, demonstrando um acentuado receio da presença humana.
Perante estes resultados, os especialistas equacionaram duas hipóteses para explicar a presença da marta em contexto urbano. A primeira, considerada menos provável, apontava para uma dispersão natural, tendo em conta a distância de cerca de 80 quilómetros às populações conhecidas e a reduzida continuidade de habitat favorável. A segunda, considerada mais plausível, sugeria que o animal teria sido transportado, de forma ilegal ou involuntária, desde a região da Peneda-Gerês até à cidade do Porto.
A marta regressou ao seu habitat natural, num local situado na área de presença conhecida desta espécie no Parque Nacional da Peneda-Gerês, em 30 de julho, numa mancha de bosque nativo situada próximo da Serra da Abadia. Para esse efeito, contou com a presença de representantes das instituições intervenientes neste caso, com a exceção do Centro de Recolha oficial de Animais do Porto (CROA), que teve o papel fundamental na captura deste animal ameaçado, possibilitando assim, a sua posterior devolução à natureza.

 

Fonte - CMG

 

 

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